terça-feira, 8 de março de 2011

2...


Depois veio um segundo disco com dor de burro, de quem já esgotou os trunfos todos na primeira volta e então, em desespero, faz tudo igual na esperança de que ninguém dê por isso. First Impressions of Earth ainda recuperou alguma frescura, mas de uma forma um pouco desorientada. E o melhor que os Strokes lançaram depois do disco de estreia foi mesmo o disco a solo de Julian Casablancas, Phrazes for the Young, no final de 2009. Em vez de guitarras gingonas, sintetizadores a escorrer óleo. Um mimo.



GF

3...


Já lá vão dez anos desde que os Strokes lançaram o seu primeiro disco, Is This It. Com o tempo, uma certeza foi petrificando: o entusiasmo da altura não era imerecido ou sequer uma histeria rock passageira. Is This It continua a ser um dos melhores objectos rock da História recente e impõe-se que nunca desapareça das listas dos álbuns mais marcantes do início do século XXI. Hard to Explain faz com que seja demasiado fácil explicar porquê.



GF

segunda-feira, 7 de março de 2011

Coney Island Baby (2002)


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque


Coney Island é uma península na zona sul de Brooklyn, famosa pela sua praia, mas sobretudo pelo seu parque de diversões. Rodas gigantes com vista privilegiada para Nova Iorque, algodão doce e pipocas, anões levantadores de pesos e todo um conjunto de pormenores que caminham para as tendas de circo com gente estranha, onde os carneiros com cinco patas e as cabras com três cabeças são, seguramente, reais. Este cenário, mais as espingardas que se bem disparadas dão direito a ursos de peluche, as montanhas-russas e os pequenos criminosos que por ali se passeiam, são o pano de fundo para uma das mais belas canções de amor de todos os tempos. Como a descrição sugere, o autor dessa canção é Tom Waits. Coney Island Baby faz doer o coração de tão belissimamente desamparada e é um dos temas mais marcantes de Blood Money, álbum editado em 2002 e feito de temas compostos para a peça de teatro Woyzeck - texto de Büchner, numa encenação de Robert Wilson.

Bendita a mulher que merece ser cantada assim: 'She's my Coney Island baby'.



GF

Corredores de fundo



Já lá vão 15 anos de Drive-By Truckers e ainda não há sinais de esmorecimento. O nono álbum da banda de Patterson Hood, o mais calmo "Go-Go-Boots", volta a colocá-los no pódio do country-rock que tão bem conhecem.

GP

Blue in the Face (de 1995)


Quinzena Temática – produtos de Brooklyn em destaque

Gravado em cinco dias como uma sequela de "Smoke", "Blue in the Face" é uma salganhada (elogio!) de ficção com realidade, cuja rodagem informal e improvisada permite-nos momentos de confidência deliciosos como o último cigarro que Jim Jarmusch faz questão de fumar na loja de Harvey Keitel (e a inerente aula de cinema).
Durante os 89 minutos desta ode a Brooklyn, aquela torna-se na nossa loja preferida. Quanto ao filme, recomendo-o ao Macário Correia.

Longa-metragem realizada por Wayne Wang e Paul Auster, e exibida nas salas portuguesas em meados dos anos 90 sob o título Fumo Azul.



GP

sexta-feira, 4 de março de 2011

Canção gigante



Cantar assim aos 21/22 anos é uma provocação. Escrever canções deste calibre aos 21/22 anos é chamar-nos "meros curiosos e amadores" e esfregar-nos essas palavras na cara até ficarem coladas no queixo, na testa, nas bochechas. Rolling in the Deep, de Adele, é uma das canções mais espantosas que vamos ouvir este ano.

GF

quarta-feira, 2 de março de 2011

E há 20 anos...



Faz hoje 20 anos que Serge Gainsbourg se finou. Com ele, levou para a cova uma forma de fazer canções que nunca mais teve representantes à altura: a elegância da chanson, em deliciosa promiscuidade com os blues, o rock sujo e as cordas insinuantes e que soam como nenhumas outras a sexo nos violinos. Initials BB é disso exemplo. Hoje, é publicada uma caixa com 284 músicas, a integral das suas gravações. Mas nada será demais para recordar um homem que tornou a decadência a maior das armas de sedução (isso e canções, uma vez mais, que são obras-primas por si só).

GF