segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Melhores Álbuns Nacionais 2: 5º-6º


2011 foi um ano estupidamente bom para a música nacional. E invulgar na quantidade de grandes discos a vir de uma área habitualmente pouco implicada nestas listas - a da música instrumental, feita por gente de background pop/rock. Nem jazz, nem clássica. Tiago Sousa (na foto - autoria Vera Marmelo) é um dos mais brilhantes exemplos desta gente que deixou a palavra no descanso mas nem por isso desinvestiu no cuidado temático da sua obra. Tiago assina um maravilhoso disco para piano, clarinete e percussão, a deambular com uma notável beleza entre Debussy e Sassetti, a partir da obra de Thoreau. Do outro lado do muro, a associação de JP Simões a Afonso Pais gerou um encontro raro entre uma guitarra abastecida de jazz e bossa nova, e uma voz a pensar em Chico Buarque, José Mário Branco e Sérgio Godinho, sobre a qual estão coladas palavras a que apetece voltar todos os dias.


6º – Afonso Pais / JP Simões – Onde Mora o Mundo


5º – Tiago Sousa – Walden Pond’s Monk

GF

Os Melhores Álbuns Nacionais de 2011: 6º e 5º


A segunda nortada dos bracarenses Smix Smox Smux, bem fresca e tão bem-vinda, é rock alternativo com sotaque, que os institui de vez como uma espécie de filhos dos Trabalhadores do Comércio um pouco mais sofisticados. Essa sofisticação ocorre sem esforço, genuina e involuntariamente, graças às actualizações das fontes indie deste mundo já sem fronteiras que a internet esbateu. [Parte de artigo escrito para o Cotonete] E os Aquaparque (na foto) mostram-nos, num objecto único e estranho, a coabitação entre pop dançante e melancolia, com fogachos de funk e de jazz. Isto também é Portugal, um outro Portugal.


6º Smix Smox Smux - Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão os Exércitos Capitalistas

5º Aquaparque - Pintura Moderna

GP

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Melhores Álbuns Nacionais 2: 7º-10º


Os Clã (na foto) atiraram-se ao público mais novo sem o infantilizarem e mostraram que é perfeitamente possível fazer um grande disco para a pequenada sem recorrer a melodias desenxabidas ou a instrumentação de viola em Dó-Sol-Dó e xilofones a condizer. As letras de Regina Guimarães ajudam a montar este mundo em que não há príncipes encantados nem princesas em castelos, mas sim crianças de carne e osso com amigos imaginários, cães que querem tirar os donos do sofá e abolição de papéis de género. Um feito. Feito é igualmente o facto de Carlos Bica manter o seu trio Azul - com Frank Möbus e Jim Black - e nunca fazer um disco que seja menos do que extraordinário. Things About volta a não desiludir e a mostrar como Bica é um melodista de fazer inveja. Quem foi alvo de inveja foram os Nigga Poison, que andaram a penar por algo tão simples como uma nomeação para os Globos de Ouro. A malta do underground do hip-hop não achou graça, mas a resposta do duo fez-se com música livre, sem enfiar a cabeça na areia, e com um Simplicidadi que é do melhor que a Rapública já ofereceu. O título do álbum dos Nigga Poison serve igualmente para o segundo álbum dos doismileoito - que, na verdade, se chama Pés Frios. 2011 foi ano para os doismileoito reduzirem à absoluta simplicidade a sua rara capacidade de criar grandes momentos pop. Infelizmente, parece que não foi ainda desta que a qualidade se impôs nas escolhas do público. Lá chegarão...


10º – doismileoito – Pés Frios

9 – Nigga Poison - Simplicidadi

8º – Carlos Bica & Azul - Things About

7º – Clã – Disco Voador


GF 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Melhores Álbuns Nacionais 2: 11º-15º



Maravilha das maravilhas, quis a vida que Alexandre Soares e Ana Deus voltassem a juntar-se. Depois de com os Três Tristes Tigres terem produzido uma das obras mais notáveis da música portuguesa, voltam com o Osso Vaidoso, já não com a palavra em estado de implosão e rodeados de maquina como nos Tigres, agora só voz sublime e guitarra nervosa, às voltas com poesia de Albert Pimenta, Regina Guimarães e Valter Hugo Mãe que não foi tratada com a picareta. Primeiro capítulo de uma história que ainda vai dar muito que escrever. Assim como certamente aconterá com Joana Sá (na foto). Neste disco de estreia a solo de um terço do Powertrio, Joana parte da Alice de Lewis Carroll para um dos mais espantosos discos de música erudita editados nos últimos anos em Portugal. Piano preparado, electrónica a crepitar e um invulgar gosto pelo risco. A falta de risco do single "Página em Branco" oh-como-engana a respeito do último tomo de Jorge Palma. Um tema igual aos outros, sem inspiração particular, esconde um magnífico punhado de canções às voltas com um país suicidário e junto ao precipício da burocracia. Todo um país a espernear num derradeiro estertor levado para dentro de um disco. Verdadeiro Filho da Mãe, o guitarrista dos If Lucy Fell pegou na guitarra acústica, lembrou a sua formação clássica e mostrou que nem só de Norberto Lobo vive a inventividade solista deste rectângulo. Um dos discos mais surpreendentes do ano. Não tão surpreendente assim é que Cristina Branco tenha juntado mais uma excelente entrada à sua riquíssima discografia. Não Há Só Tango em Paris, se mais não tivesse, valia desde logo pela inteligente chamada para a sua lista de colaboradores Pedro da Silva Martins, homem dos Deolinda, que lhe compôs o belíssimo tema-título.


11º - Osso Vaidoso - Animal

12º - Joana Sá - Throught This Looking Glass

13º - Jorge Palma - Com Todo o Respeito

14º - Filho da Mãe - Palácio

15º - Cristina Branco - Não Há Só Tangos em Paris
GF

Os Melhores Álbuns Nacionais de 2011: do 10º ao 7º


Sérgio Godinho deu-nos mais uma achega de classe para uma discografia de peso (cada vez maior); os Osso Vaidoso (na foto), a nova encarnação da vocalista Ana Deus e do guitarrista Alexandre Soares, focam-se num minimalismo ainda mais microscópico que os Três Tristes Tigres para mais uma visão macroscópica; os Lábios (ex-Profilers) não se atrapalham com a sua costela de indie rockers para irem directos e sem delongas às canções orelhudas, de coros aguerridos, seguindo os ensinamentos dos Blondie ou dos Altered Images; e Jorge Palma volta a ser o cantautor flutuante que, à beira do precipício, vai vislumbrando o génio, mesmo que com uma estranha tentação pelo embaraço, numa bipolaridade que dá ao disco uma dimensão estupidamente humana.

10º Sérgio Godinho - Mútuo Consentimento

9º Osso Vaidoso – Animal

8º Os Lábios - Morde-me a Alma

7º Jorge Palma – Com Todo o Respeito

GP

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Melhores Álbuns Nacionais 2: 16º-20º


Charie Brown estava fadado para o insucesso, mas deve ter guardado toda a sua réstia de boa sorte para lançar sobre o sexteto lisboeta que lhe pediu o nome emprestado para dar abrigo a canções feitas de Fleet Foxes, Dodos, Tim Buckley ou Animal Collective. A Les Inrocks não tardou a declará-los amor de Verão. Falta agora o campeonato de Inverno para os You Can't Win, Charlie Brown (na foto). Muitos, muitos anos demorou a chegar o disco de Fernando Alvim, o notável viola que sempre acompanhou Carlos Paredes, e que andou demasiados anos na sombra, a dar aos outros. Pediu de volta agora, com um excelente disco de fados e canções. As canções foram também o ponto de partida para o trio de Júlio Resende, com o jazz a meter o nariz (e bem) no cancioneiro pop. Pop é coisa que nem de binóculos se vislumbra no disco do RED Trio com John Butcher - freeíssimo, sem travões ou concessões. Liberdade também é palavra cara a Rita Braga, rapariga fascinadas pelos anos 20 norte-americanos, mas que canta em inglês, português, russo ou grego com a mesma naturalidade de quem janta num diner fora de horas.

20º - Júlio Resende Trio - Tastes Like a Song


19º - Fernando Alvim - Os Fados e as Canções do Alvim


18º - RED Trio w/ John Butcher - Empire


17º - Rita Braga - Cherries that Went to the Police


16º – You Can’t Win, Charlie Brown – Chromatic


GF

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Os Melhores Álbuns Nacionais de 2011: 15º a 11º

Início de viagem dentro de fronteiras. Rodrigo Leão parece curado da epidemia de Giftite que o vitimou nos dois álbuns interiores; os Tiguana Bibles, com cantora escocesa, podiam-se misturar na frente feminina do indie rock anglo-americano; o mesmo se pode dizer dos You Can’t Win Charlie Brown mas no meio da neo-folk internacional de eleição; os Houdini Blues continuam a refinar o seu caminho para sul, a partir do norte (ou o imaginário world music assente numa base física de rock); e os Buraka Som Sistema (na foto) conseguem esticar mais um bocadinho os efeitos positivos da sua invenção de kuduro electrónico, com a ajuda de um dos grandes temas do ano: (We Stay) Up All Night.

15º Rodrigo Leão - A Montanha Mágica


14º Tiguana Bibles - In Loving Memory of…


13º Houdini Blues - Suão


12º You Can’t Win Charlie Brown – Chromatic


11º Buraka Som Sistema – Komba


GP